segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sinal da meia-noite

Era quase meia-noite quando eu passei por uma rua soturna. Nada mais dava sinal de vida, até as luzes dos postes estavam apagadas e não se reconhecia nada por trás das sombras que ali vagavam. A não ser por um simples colorido... Aquele intrigante semáforo ainda persistia em funcionar, quando os demais já haviam parado de funcionar e como lâmpadas que prenunciavam o Natal, piscavam alegremente.
Mas que azar, além de ser um semáforo um tanto quanto inoportuno ainda fechou-se rapidamente. Eis que a luz vermelha se apresentava nitidamente e eu teria tempo suficiente para parar, mas prudencialmente não me senti no conforto de aguardar até que o verde me permitisse retomar o meu caminho.
Vagarosamente fui, mas sem parar, até a esquina e quando já vislumbrava da certeza de que não havia mais veículos naquele cruzamento, prossegui como se tudo fosse permitido.
Atrás de mim acompanhou-me um outro veículo. E só então, ao ultrapassar-me, percebi que se tratava de um veículo da polícia, que vagarosamente passou ao meu lado e depois de me identificar visualmente seguiu o seu caminho.
Eis que não tardou, após quase um mês, eu surpreendentemente receber uma multa por avançar o sinal vermelho à noite em um lugar qualquer daquela cidade. E então me lembrei daquele dia inusitado... Eu e um carro da polícia passamos o sinal vermelho e sem receber sequer uma autuação fui multado, por cometer uma infração, que convenhamos sabia que estava errado. Justo eu que costumava fazer as coisas certas, dentro da lei, mas naquele momento fiquei com medo. Havia tantos boatos de assalto nos semáforos.
Mas tudo bem, apesar da indignação, não achava que havia feito algo errado, porém, a multa não foi injusta. Só imaginava que não deveria haver nenhum guarda visível cuidando daquela esquina e acreditava que deveria ser o carro da polícia que me multou. Mas será que ele aplicou multa a ele próprio. Pois não foi só eu quem avançou o sinal.
Mas tudo bem. Agora são águas passadas e havia aprendido com a lição...
Eis que então, outra noite, voltando de uma festa, novamente, em outra rua qualquer, estava lá o semáforo, teimosamente cumprindo o seu ofício... E para meu azar, novamente ele se fechara momentos antes de eu chegar à esquina. Dessa vez, prudentemente eu parei. Olhei em volta e aparentemente não vi vulto algum. E então, quando pensei em relaxar, surge uma moto ao meu lado. Quebraram o vidro de trás e apontaram-me uma arma. Gritavam que era um assalto, que eu não fizesse nenhuma gracinha e passasse a carteira.
Posso dizer que por sorte, pois eles não quiseram o carro e estavam com pressa, só queriam dinheiro. Abriram a carteira e sacaram o dinheiro, jogaram o resto fora e sumiram...
Moral da história:
"Um policial para te multar existe a qualquer hora do dia ou da noite em qualquer lugar que você esteja no momento em que um cidadão de bem cometer algum deslize.
Não vai haver um policial para te proteger na hora de um assalto, a qualquer hora do dia ou da noite em qualquer lugar, no momento em que um cidadão de bem estiver sendo vítima..."

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