quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sutilezas... Tormentas...

Aquele homem descia todas as tardes até aquele pedaço de mar que se adentrava entre as pedras e contemplava aquele céu já quase negro, na qual o restante de luz do dia rebatia em suas costas.
Sentava-se em uma pedra, acho que era sempre a mesma, e se perdia por horas, naquele vento batendo em seu rosto. O olhar distante, fixos naquele horizonte calmo, como quem aguardasse um velho reencontro.
Ele não gostava de calmarias. Na verdade, relembrava com saudades aquelas noites de tormenta, nas quais o mar se agitava revolto, invocando um medo aflitivo, denso e imprevisível.
Naquele passado, ficara noites e noites observando e vivenciando uma tempestade incomum naquela costa, na qual as águas vinham com fúria e ali naquele recanto sentia-se como se estivesse à beira de um tsunami.
Era uma loucura, uma vocação, um hobby, qualquer coisa. Para ele era um prazer e normal. Alguns gostavam de filmes de terror, outros de esportes radicais. Tinha fila para montanha-russa, porque não haveria um doido para amar as tempestades.
A verdade é que a tempestade veio, permaneceu por dias e dias e depois se foi. Quem viu de tão perto como ele, que vivenciou cada gota de chuva, cada onda se quebrando nas rochas e escutar aquele som ensurdecedor, como se tudo estivesse para ser atirado ao longe, agora, admirava aquela água calma e longínqua, como se nunca houvesse existido algo tão vivo e violento naquele mesmo lugar.
Foi-se o vento, foram se as ondas, sem nenhum vestígio. Para ele ficaram apenas as boas lembranças, as fortes emoções e o vento calmo a envolver sua face. Reunia os braços em torno de si como se tentasse receber um abraço invisível como quem recebe alguém muito querido de volta para o lar.
Ele não ia somente para recordar... Ele tinha dentro de si uma esperança de que as noites de fúria voltassem novamente, qualquer dia quem sabe...

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