quinta-feira, 5 de maio de 2011

O reencontro...

Havia dias que não a via... Na verdade, tinha evitado encontrá-la por uns tempos. Talvez temeroso, talvez inseguro, queria manter uma certa distância. Sentia-se mal toda vez que a encontrava. Suas lembranças não eram muito felizes nos últimos tempos, isso, quando se viam.
Precisava dar um tempo e respirar um pouco, em paz consigo mesmo... Mesmo tendo a certeza que não estava tudo bem.
Precisava colocar a cabeça no lugar e retomar tudo que abandonara até então. Como sempre repetia... "O segredo dos que triunfam é começar tudo outra vez".
Mesmo assim, não se importava muito com as consequências. Parecia que em alguns instantes o amor próprio lhe faltava. Sentia-se acuado e pressionado por ela. Ela não deveria controlá-lo tanto, mas mesmo assim se submetia aos seus caprichos, vez por outra, como forma de controlar a sua compulsividade. Apesar de atormentado, ele tinha certeza que ela era muito mais um bem que um mal necessário. Tinha consciência também de que ela não fazia por mal, simplesmente cumpria com suas obrigações, indiferente aos seus sentimentos. Ela era simplesmente fria, calculista e cruel. Apenas refletia exatamente o que ele era. E por mais que ela fizesse, no fim, ele sempre assumia a culpa por tudo e tudo passava a lhe pesar nos ombros... "Que vida ingrata, que sina !". Ele estava indignado...
De qualquer forma, cedo ou tarde, ela estaria novamente aos seus pés. Ele sabia onde e quando encontrá-la. Era um jeito de instaurar sua vingança ante a opressão a que era submetido. Fazer de conta que mantinha controle da situação, diante de quem o dominava pelo medo. Sentia-se triste e frustrado por toda aquela absurda humilhação. Ela jamais o abandonaria e mesmo que ele a deixasse, outras viriam em seu lugar a produzir-lhe as mesmas sensações. Era uma predestinação, que se agravava ano após ano.
Nos últimos tempos fez todos os abusos que podia e desejava, ficou de bar em bar, até altas horas da noite. Então, há algumas semanas, repentinamente, depois de tudo, redimiu-se, mudou do vinho para a água. Nos últimos dias, estava quietinho e sossegado em seu canto, como se nada tivesse acontecido. Talvez fosse aquela visita ao cardiologista ou sei lá o quê... Não se sabe exatamente.
Voltou, de cara limpa e cinicamente foi ao seu encontro. E ela como era de se esperar, estava fielmente aos seus pés... Paradoxalmente, ele estava novamente feliz e aliviado. Ele, insolentemente, mirava-lhe diretamente com seus olhos. Ela por sua vez se mantinha apática aos seus sentimentos. Ele perdera três quilos... Sorriu e chutou-a de volta para debaixo do armário do banheiro. Talvez quisesse vê-la novamente daqui a alguns dias...

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